Santuário do Loreto em Itália

frame-2486543_1280_edited.png
Panoramica_loreto
Panoramica_loreto
press to zoom
1/10

Nossa Senhora do Loreto "Virgem Negra"

  No interior da Santa Casa do Loreto era venerado um ícone da Virgem pintado sobre madeira,

que, devido à sua cor escura, deu origem à tradição do culto de uma Nossa Senhora negra.

Pela mais antiga história do Santuário, sabe-se que, juntamente com as paredes da Santa Casa, transportadas de Nazaré para Loreto, era inicialmente venerada não uma estátua da Virgem,

mas um ícone pintado sobre madeira:

"uma pintura tão doce e bela; belo o rosto e um pouco escuro e avermelhado".

Na cor escura ou morena de muitas imagens antigas da Virgem (as famosas Nossas Senhoras negras), alguns estudiosos encontram um sinal simbólico do mundo sobrenatural

e de um regresso às origens da vida:

"e Maria gerou-nos em Cristo para a verdadeira vida".

  Todavia, acontece que, antigamente, muitas imagens sagradas escureciam e até se tornavam irreconhecíveis,  devido ao fumo das velas e das lamparinas.

Tanto assim que, frequentemente, tinham de ser pintadas de novo,

pelo que há ícones com 4 ou 5 camadas de tinta!

O mesmo terá acontecido, provavelmente, também ao belíssimo ícone da Santa Casa.

Porquê a tradição chama a  Nossa Senhora do Loreto "Virgem Negra"?

No primeiro trinténio do século XVI, a primitiva imagem foi substituída por uma estátua

de madeira de abeto vermelho, delicadamente policromada.

Porém, o fumo das muitas lamparinas a óleo, que, ao longo de séculos,

arderam no pequeno recinto da Santa Casa, escureceu indelevelmente

até as pedras exteriores e deu à estátua de madeira uma coloração muito escura.

A estátua, destruída no incêndio de 1921, foi, em 1922 e por L. Celani, substituída por outra,

segundo esboço de Quattrini, desta feita, com madeira de cedro do Líbano e,

infelizmente, com uma tintagem uniforme e acentuadamente escura,

mais do que era habitual ver na Nossa Senhora do Loreto.

moldura-de-madeira-dourada-isolada-em-tr

( Modelo 3D da Basílica e do Santuário da Santa Casa do Loreto, incluindo Palácio Apostólico e entourage. "Arq. João Bianchi" )

Padroeira dos viajantes em transporte aéreo

A tradição lauretana, relativa ao transporte da casa de Maria, por mão de Anjos, de Nazaré,
para a antiga Ilíria (1291) e desta para o antigo território de Recanati (1294),
pareceu sugestiva para a escolha de Nossa Senhora do Loreto como padroeira dos viajantes por meios aéreos. Efectivamente, já nos séculos XVII e XVIII, poetas e pintores haviam representado aquele
transporte prodigioso com uma nota fantasiosa, imaginando o vôo da Casa de Nazaré
como se fosse um moderno objecto voador.

​Em 1912, a Sociedade de Aviadores e Aeronautas do Ar, com sede em Turim, entregou-se à protecção de Nossa Senhora do Loreto. Poucos anos depois, por volta de 1915, aquela Sociedade, sob a presidência de Carlo Montù, mandou ornamentar a sua própria bandeira com a imagem da Virgem Lauretana. Sabe-se igualmente que também em 1915, as paredes da Santa Casa foram reproduzidas nas carlingas da XXV Esquadrilha, sinal de uma explícita devoção a Nossa Senhora da Casa voadora.

​Em Junho de 1917 e na sequência de muitos pedidos, o Aero Club de Itália promoveu
uma intensa acção para obter o acordo de todas as sociedades aeronáuticas do País,
no sentido de escolherem Nossa  Senhora do Loreto, como única padroeira da aviação,
sem ter tido sucesso. Durante o período fascista, quando o sentido nacionalista era forte,
não só na Itália como noutros países da Europa, disse-se que a proposta havia sido reprovada:
“Nossa Senhora do Loreto significaria apenas cidadania italiana ou não se quereria Nossa Senhora”.

O DECRETO DE BENTO XV

Depois da I Guerra, em 1919, o tenente-coronel Ercole Morelli, secretário administrativo
do Aero Club de Itália, fez uma nova tentativa no mesmo sentido, dirigindo-se directamente a alguns cardeais e bispos, a fim de que solicitassem à autoridade eclesiástica competente a proclamação de Nossa Senhora do Loreto como padroeira dos aeronautas. Foram envolvidos no pedido o Cardeal de Turim Agostino Richelmy, o Cardeal Amedeo Ranuzzi de' Bianchi, que fôra Bispo de Recanati-Loreto de 1903 a 1911, e Monsenhor Alfonso Maria Andreoli, Bispo à época da mesma diocese.
Os três prelados acederam ao pedido e dirigiram-se à Congregação dos Ritos.
O requerimento oficial foi transmitido pelo Mons. Andreoli, na qualidade de ordinário da diocese recanatense-lauretana. O Prefeito da Congregação Cardeal Antonio Vico, natural de Agugliano, na diocese de Ancona, submeteu o pedido a Bento XV, que a acolheu com entusiasmo,
isto é “de muito bom grado”, como se lê no respectivo Decreto, emitido em 24 de Março de 1920, véspera da Anunciação do Senhor, solenizada em Loreto, naquele tempo, com a celebração
ininterrupta de missas na Santa Casa, da meia-noite do dia 24 até ao meio-dia do dia 25.

Santuário

A Santa Casa do Loreto

A Santa Casa do Loreto testemunhou o grande mistério da Encarnação,
quando o Arcanjo Gabriel, resplandecente de luz,
foi enviado do Céu à Terra, em Nazaré, para trazer ao género humano
a maior e mais consoladora notícia.

Naquela casa, de seus pais, morava uma donzela humilde e modesta.

 “ E a Virgem chamava-se Maria ”.

Ali habitou Jesus Cristo, submisso a seus pais José e Maria,
durante os trinta primeiros anos da sua vida.
Segundo a tradição, a casa foi milagrosamente transportada pelos anjos,
no fim do século XIII, para o Loreto em Itália.